domingo, 13 de março de 2016

Meus interesses de classe

Por Igor de Oliveira Costa

Queridos amigos, não adianta argumentar com os manifestantes dizendo que, se eles vão pra rua hoje, 13 de março de 2016, estão apoiando o Bolsonaro, Feliciano, Malafaia, Eduardo Cunha e tudo o que eles representam. Essas pessoas não estão preocupadas com quem apoiam, estão preocupadas na manutenção da sociedade estratificada e preconceituosa, porque elas estão no topo da pirâmide.

Essas pessoas não estão preocupadas em acabar com a corrupção, estão preocupadas em garantir seus privilégios de classe. Sempre que podem, eles compram o guarda de trânsito com um "cafezinho", sonegam o imposto de renda, deixam de assinar a carteira de trabalho da faxineira. Um governo que limite esses gestos, mesmo que minimamente, é um governo que deve cair.

Essas pessoas não estão preocupadas com a manutenção de uma sociedade democrática e com o Estado de Direito, estão preocupadas em manter seu status social, mesmo que às custas do sofrimento das classes trabalhadoras. De que adianta ter um carro novo se o porteiro também o tem? De que adianta ter um filho na faculdade se o filho da babá também lá está? De que adianta tirar férias fora do Brasil se o seu subalterno da firma também já levou os filhos à Disney? Um governo que promova qualquer inserção, mesmo que a questionável inserção pelo consumo, é um governo que deve cair.

Essas pessoas não estão preocupadas com um mínimo de igualdade social. Quando dizem que a ditadura deveriam ter matado e torturado, é isso mesmo que querem dizer, não é um engano ou "falta de conhecimento histórico". Elas não estão nem um pouco preocupadas com a integridade física ou moral do outro, porque elas são oportunistas e, desde que não sejam elas a estarem dependuradas no pau de arara, que se danem! Desde que não sejam elas a serem espancadas/assassinadas pela polícia, ótimo! Desde que não sejam elas a terem a sua liberdade de locomoção restringida (como o têm os pretos/pobres que desejam ir à praia), melhor assim! Mais, se o outro for torturado para que ela tenha benefícios, não há problema alguma. Elas fingem que não é com elas, para que a consciência não doa muito, e esquecem no minuto seguinte.

Por isso, eu nem discuto com essas pessoas. Não acho que sejam burros, idiotas ou ignorantes. Acho que elas entendem perfeitamente o tipo de sociedade que querem: uma sociedade em que estejam no topo, sendo servidas por empregadas semi-escravas, por faxineiras, copeiras, porteiros, manobristas, porteiros, serviçais das mais diversas estirpes. Uma sociedade em que os símbolos de status social sejam unicamente delas. Uma sociedade em que o Estado funcione unicamente para elas e que trate o restante como escória, lixo, párias. Uma sociedade que pode ser tudo, menos democrática.

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