terça-feira, 3 de maio de 2011

Luis Fernando Verissimo e a Mediocridade da Classe Média

Por Igor de Oliveira Costa

Há algum tempo que venho acompanhando o trabalho de Luis Fernando Verissimo, sobretudo as crônicas, que saem às quintas e aos domingos, simultaneamente em O Globo, no Estadão e no Zero Hora, e é impressionante ver como o homem domina a língua portuguesa, provavelmente seguindo o método que esboçou em O Gigolô das Palavras. Mas não é sobre isso que quero falar. Quero comentar um pouquinho sobre três de suas crônicas recentes, em que ele explicita toda a mentalidade medíocre e hipócrita da nossa Classe Média. Aproveito para compartilhar essas maravilhas literárias com vocês.

A primeira dessas crônicas foi publicada em 2002, quando do escândalo que os jornais fizeram porque o Lula tomou um vinho que custava uma fortuna (mais de R$ 6.000,00 a garrafa, se me lembro bem). Veríssimo, nessa pequena belezura literária chamada A Audácia! (você pode ler todas as crônicas citadas logo ao final do artigo), valendo-se de sua ironia polifônica, assume a voz da elite e profere todos os absurdos preconceituosos que eles pensavam, mas não tinham coragem de falar.

A segunda é a crônica Fora, povo!, publicada em 2007 e, a meu ver, a mais brilhante. Aqui o escritor gaúcho, sempre assumindo a voz da Classe Média, mostra a ilogicidade maior do raciocínio dessas pessoas: trocar causa por consequência, ou seja, dizer que o povo é sujo, mal educado é a consequência de uma situação social, não causa dos problemas do Brasil. A situação do Brasil é que causa essa condição do povo, não o povo, por ser pobre e sujo, que causa a situação do Brasil.

A terceira, publicada semana passada, e cujo título é Buuu, faz uma crítica à postura da Classe Média ao criticar o governo Lula. Verissimo, como se sabe, é esquerdista e Lulista desde sempre, mas a imagem que ele cria é ótima. Diante de todos os benefícios gerados pelo governo Lula, só resta mesmo à “elite” buscar chifre em cabeça de cavalo e criar problemas onde não existem.

No mais, apenas dois comentários a parte. Em primeiro lugar, chega a ser irônico o fato de essas crônicas terem sido publicadas em O Globo e em O Estadão, redutos da Classe Média comum medíocre. Em segundo lugar, é impressionante como as pessoas não entendem a ironia do Verissimo. Sempre que saem tais crônicas, no dia seguinte os jornais publicam uma porção de cartas falando que o Verissimo é preconceituoso, que não gosta de pobre, etc.


A audácia!
Luis Fernando Verissimo

Quem o Lula pensa que é, tomando Romanée-Conti? Gente! O que é isso? Onde é que estamos? Romanée-iiiiiiiiiiiiiii Conti não é pro teu bico não, ó retirante. Vê se te enxerga, ó pau-de-arara. O teu negócio é cachaça. O teu negócio é prato-feito, cerveja e olhe lá. A audácia do Lula!

Hoje tomam Romanée-Conti, amanhã vão querer o quê? No mínimo se achar iguais a nós. Pedir os mesmos direitos. Viver como a gente, que tem berço, que tem classe, que tem bom gosto e portanto merece o melhor. E nós sabemos como isso acaba. Logo, logo vão estar querendo subir pelo elevador social.

O Lula tomando Romanée-Conti... Ora faça-me o favor. Que coisa grotesca. Que coisa ridícula. Que acinte. Que escândalo. E que desperdício. Vai ver ele não sabe nem pronunciar o nome, quanto mais apreciar o sabor. Vai ver derramou um pouco pro santo, na toalha. Romanée-Conti não é pra gentinha, não, Lula. As coisas boas da vida são para as pessoas finas do mundo, não pra pé-rapado que bota gravata e acha que é doutor. Muito menos pra pé-rapado brasileiro.

Está bom, foi só um gole. Mas é assim que começa. Hoje tomam um gole de Romanée-Conti, amanhã estão com delírio de grandeza, pedindo saneamento básico, habitação decente, oportunidade de trabalho e até - gentinha metida a grande coisa não sabe quando parar - mais saúde pública, mais igualdade e caviar. Enfim, essas coisas que intelectual comunista põe na cabeça deles. Sim, porque a índole natural da nossa gentinha, em geral, é boa. Se pudessem escolher, escolheriam angu aguado e vinho Boca Negra, coisas autênticas, às vezes mortais, mas pitorescas. Como eles, que até hoje nunca tinham incomodado ninguém, que até hoje conheciam o seu lugar. Agora, depois da gentinha provar Romanée-Conti, ninguém sabe o que pode acontecer neste país. Deram álcool para os índios! Nenhum branco está mais seguro.

O Lula tomando Romanée-Conti... É o cúmulo. É uma inversão completa dos valores sob os quais nos criamos, segundo os quais se Deus quisesse que os pobres tomassem vinho de rico daria uma ajuda de custo. É o fim de qualquer hierarquia social, portanto o caos. Ainda bem que ainda existem patriotas alertas para denunciar o ridículo, o acinte, o escândalo, e chamar o Lula de volta à humildade. Para mandar o Lula se enxergar.

Sim, porque hoje é Romanée-Conti e amanhã pode ser até a Presidência da República. Gentinha que não conhece o seu lugar é capaz de tudo.

Fora, povo!
Se ao menos as bolsas-família fossem Vuitton…
Luis Fernando Verissimo

Pesquisa recente concluiu que a elite brasileira é mais moderna, ética, tolerante e inteligente do que o resto da população. Nossa elite, tão atacada através dos tempos, pode se sentir desagravada com o resultado do estudo, embora este tenha sido até modesto nas suas conclusões. Faltou dizer que, além das suas outras virtudes, a elite brasileira é mais bem-vestida do que as classes inferiores, tem melhor gosto e melhor educação, é melhor companhia em acontecimentos sociais e é incomparavelmente mais saudável. E que dentes!

A pesquisa reforça uma tese que tenho há anos, segundo a qual o Brasil, para dar certo, precisa trocar de povo. Esse que está aí é de péssima qualidade. Não sei qual seria a solução. Talvez alguma forma de terceirização, substituindo-se o que existe por algo mais escandinavo. As campanhas assistencialistas que tentam melhorar a qualidade do povo atual só a pioram, pois, se por um lado não ajudam muito, pelo outro o encorajam a continuar existindo. E pior, se multiplicando. Do que adianta botar comida no prato do povo e não ensinar a correta colocação dos talheres, ou a escolha de tópicos interessantes para comentar durante a refeição? Tente levar o povo a um restaurante da moda e prepare-se para um vexame. O povo brasileiro só envergonha a sua elite.

Se não tivéssemos um povo tão inferior, nossos índices sociais e de desenvolvimento seriam outros. Estaríamos no Primeiro Mundo em vez de empatados com Botsuana. São, sabidamente, as estatísticas de subemprego, subabitação e outros maus hábitos do povo que nos fazem passar vergonha.

Que contraste com a elite. Jamais se verá alguém da elite brigando e fazendo um papelão numa fila do SUS como o povo, por exemplo. Mas o que fazer? Elegância e discrição não se ensina. Classe você tem ou não tem. Mas o contraste é chocante, mesmo assim. Esse povo, decididamente, não serve.

Se ao menos as bolsas-família fossem Vuitton…

Buuu
Luis Fernando Verissimo

Diálogo urbano, no meio de um engarrafamento. Carro a carro.

– É nisso que deu, oito anos de governo Lula. Esse caos. Todo o mundo com carro, e todos os carros na rua ao mesmo tempo. Não tem mais hora de pique, agora é pique o dia inteiro. Foram criar a tal nova classe média e o resultado está aí: ninguém consegue mais se mexer. E não é só o trânsito. As lojas estão cheias. Há filas para comprar em toda parte. E vá tentar viajar de avião. Até para o exterior – tudo lotado. Um inferno. Será que não previram isto? Será que ninguém se deu conta dos efeitos que uma distribuição de renda irresponsável teria sobre a população e a economia? Que botar dinheiro na mão das pessoas só criaria essa confusão? Razão tinha quem dizia que um governo do PT seria um desastre, que era melhor emigrar. Quem pode viver em meio a uma euforia assim? E o pior: a nova classe média não sabe consumir. Não está acostumada a comprar certas coisas. Já vi gente apertando secador de cabelo e lepitopi como se fosse manga na feira. É constrangedor. E as ruas estão cheias de motoristas novatos com seu primeiro carro, com acesso ao seu primeiro acelerador e ao seu primeiro delírio de velocidade. O perigo só não é maior porque o trânsito não anda. É por isso que eu sou contra o Lula, contra o que ele e o PT fizeram com este país. Viver no Brasil ficou insuportável.

– A nova classe média nos descaracterizou?

– Exatamente. Nós não éramos assim. Nós nunca fomos assim. Lula acabou com o que tínhamos de mais nosso, que era a pirâmide social. Uma coisa antiga, sólida, estruturada...

– Buuu para o Lula, então?

– Buuu para o Lula!

– E buuu para o Fernando Henrique?

– Buuu para o... Como, “buuu para o Fernando Henrique”?!

– Não é o que estão dizendo? Que tudo que está aí começou com o Fernando Henrique? Que só o que o Lula fez foi continuar o que já tinha sido começado? Que o governo Lula foi irrelevante?

– Sim. Não. Quer dizer...

– Se você concorda que o governo Lula foi apenas o governo Fernando Henrique de barba, está dizendo que o verdadeiro culpado do caos é o Fernando Henrique.

– Claro que não. Se o responsável fosse o Fernando Henrique eu não chamaria de caos, nem seria contra.

– Por quê?

– Porque um é um e o outro é outro, e eu prefiro o outro.

– Então você não acha que Lula foi irrelevante e só continuou o que o Fernando Henrique começou, como dizem os que defendem o Fernando Henrique?

–Acho, mas...

Nesse momento o trânsito começou a andar e o diálogo acabou.
Imagem disponível aqui e tratada por Igor de Oliveira Costa.

18 comentários:

  1. Não sou simpatizante do lado político do Veríssimo, mas a terceira crônica (Buu) é pertinente. Quem chama o governo FHC de "direitista" ou "neoliberal", no mínimo, está deturpando o significado dessas palavras e ignorando o passado e a importância histórica de FHC intelectualmente e politicamente. Felizmente não vivemos no Brasil da transição dos anos 80/90, da hiperinflação deixada pelos militares. FHC pegou um Brasil sem perspectiva, engessado pela inflação e por estatais sucateadas. Resolveu os 2 problemas com medidas práticas, algumas vezes dolorosas a curto prazo, mas a reconhecimento veio com todas as vírgulas, quando vemos o Brasil estabilizado economicamente, a Vale dando mais lucros ao país do que em qualquer época quando era estatal, a infinidade de telefones celulares, a facilidade para se ter uma linha e as várias escolhas de operadoras e planos.

    Infelizmente, o PT, enquanto oposição, tratou de demonizar TUDO o que o governo fazia, falando a "língua do povão". Digo isso não no sentido pejorativo de povão (já que isso deu um problemão no artigo do próprio FHC semana passada), mas para ilustrar o populismo petista, quando disse, em 1994, que o plano real era um "estelionato eleitoral". Isso para não dizer o estardalhaço que era feito a cada privatização, com a velha lenga-lenga do "patrimônio nacional". O mesmo PT, essa semana, privatizou sem maiores cerimônias boa parte dos aeroportos. Isso não é neoliberalismo. Isso é o óbvio.

    Conforme o personagem da crônica do Veríssimo frisou, o governo Lula foi "mais do mesmo" na questão econômica. Logo o que ele tanto criticou e atacou enquanto era oposição, como a política das bolsas, que ele tomou para si a autoria, mas que foram criadas exatamente no governo FHC. É bom considerar também que Lula pegou o mundo (e o Brasil, principalmente) numa situação infinitamente melhor que em 1994 e, como se não bastasse, com preços de commoddities como petróleo, soja e cana de açúcar disparando. Difícil ter algum acidente de percurso nesse cenário. Diante disso, foi o óbvio.

    A grande diferença, e onde regredimos - e muito - foi na cultura política. A falácia palanqueira do presidente, a glamourização da ignorância e a conivência com a corrupção serão os 3 legados que o governo Lula vai deixar para mim. Poderia expor mais detalhadamente esses 3 motivos, mas agora tenho que dar uma saída.

    Apesar de tudo, já li algumas coisas muito boas do Veríssimo. E, sim, também ouço Chico Buarque. rs

    Grande abraço!

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  2. Muito pertinente o comentário do Droozer. Todos esquecem que o governo Lula só foi o que foi por conta da estabilização inflacionária ocasionada pelo Plano Real do FHC. E que, na época, o PT foi contra...

    Sem comentar os episódios de privatização: quando é realizada pelo PSDB é "entreguismo", quando é o PT é "terceirizar". Dois pesos diferentes para uma mesma medida.

    Um Abç

    Salomão

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  3. Bom... vamos lá... parece que fui me meter com dois leitores nervosos aqui. rsrsrs

    Bem, posso até concordar que o Plano Real foi realmente um marco na história do Brasil. A inflação jamais havia sido controlada e o FHC conseguiu fazer isso. Quer dizer, não exatamente o governo dele, pois o plano Real ainda é do governo Itamar, mas ele é que era o Ministro da Economia à época. Então o negócio é dele e ponto.

    O meu problema com o FHC não é esse, é justamente a postura do governo de aderir ao Consenso de Washington e às suas políticas neoliberais que acabaram por levar o Brasil a um aumento da desigualdade social (não só o Brasil, mas toda a América Latina) e que culminou com a crise de 1997 e, em última instância, com a de 2008. Tanto foi ruim, que a crise de 2008 (após termos esquecido o Consenso de Washington)quase não nos afetou, enquanto a de 1997...

    De qualquer forma, fico pensando no que o Droozer/Guilherme disse sobre a Vale. Que dinheiro ela dá para o Brasil? Ela dá empregos, certamente, mas para onde vão seus lucros? Onde são investidos? Ah! na conta doa acionistas!

    Por fim, quanto ao Verissimo, posso ter lido errado, mas o que me parece é que, na crônica BUUU, o que ele faz é uma crítica à postura no mínimo paradoxal da dita Classe Média. Concordando ou não com o conteúdo da crônica, acho interessante notar como ele consegue definir a personalidade do nossa elitezinha medíocre com precisão.

    Abraços a ambos

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  4. Ah! outra coisa importante, que só me lembrei agora. Eu não sei como o governo seria se fosse assim ou assado, o que eu sei é como foi. E, nesse sentido, o governo FHC só ampliou o abismo social, enquanto o governo LULA transformou esse abismo num buraquinho. rsrs

    (só provocando.)

    Abraços

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  5. O governo Lula transformou o abismop social em um buraquinho através de um gasto orçamentário nababesco (essa história de que pagou a dívida externa é balela) que somente vai ser sentido daqui a muitos anos. Grande parcela do PIB está comprometida. Mas, como é de praxe em todo governo, somente os resultados a curto prazo importam.

    A classe média, que realmente sustenta o governo com os impostos, está endividada até o último fio de cabelo, por conta da política de crédito do governo.

    O brasil não é mais auto-suficiente em petróleo, sabia? Mas os meios de comunicaçao dificilmente estão falando nisso. Depois mando os dados.

    Já reparou que o governo está fazendo campanhas para desmentir a volta da inflação? Se estivesse tudo tranquilo ,o governo não estaria fazendo isso.

    Neste sentido, o governo Lula foi uma mistura de continuidade da política econômica da Era Fhc somada à conjunturas economicas favoraveis.

    Embora o governo LULA tenha pego crises economicas, o real já estava estabilizado, e ele já tinha pego uma conjuntura favorável anteriormente, que permitiu o acumulo de dólares para suportar a crise.

    Além disso, O governo LULa encarou a crise estimulando a população ao consumo (diminuição de impostos como o IPI e outros para o consumos de produtos "linha branca")e à compra de imóveis através de crédito imobiliário, prncipalmente pela Caixa economica. Tal política de crédito imobiliário contribuiu para triplicar o preço dos imóveis, pelo menos no Rio de Janeiro. E aumentou os alugueis.

    Desta forma, acho que vc está adotando o discurso do governo de forma acrítica como se fosse o salvador da pátria, não atentando para o preço longo prazo desta poitica ( quer um exemplo? A mesma coisa fez o governo grego, espanhol, portugues, etc a crise desencadeada na união europeia.) Não basta olhar a árvore. Tem que visualizar a floresta.

    A única soluçao, e torço para que aconteça logo, é a expoloração do pré-sal "bilhete premiado", conforme as palavra a Dilma na campanha. Somente ele pode ajustar as contas do governo longo prazo, minorando o déficit público galopante que se avizinha.

    Um abraço

    Salomão

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  6. Ué, Salomão, quero ver tirar o país do buraco sem gastar nem um centavo. Diga-me, filhinho, como fazer mudanças profundas sem gastar? Impossível! Quanto à inflação, ela não é um problema só do Brasil. O mundo inteiro está se vendo às voltas com ela. No mais, a classe média está mesmo endividada, e isso é um grande problema. Mas os pobres estão comendo. A miséria diminuiu drasticamente. Por isso, acho que a conjuntura atual, depois do governo Lula, é infinitamente melhor do que antes. Acho que, com um arrocho, como fez a Dilma, e um controle maior dos gastos públicos, aprimorando a fiscalização, por exemplo, podemos ascender em educação, por exemplo, formando mão-de-obra qualificada e melhorarmos significativamente o país a médio prazo.

    A questão é que alguém tinha que fazer isso. De outro jeito, continuaríamos na miséria eternamente.

    Abraços

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  7. Será que todas as formas de fazer "os pobres comerem" está correta?

    O governo lula pautou a sua política de combate à miséria concedendo inúmeras bolsas asitencialistas (herança maldita de fhc), ao invés de "ensinar a pescar" (pedagogia que só ficou no discurso).

    Ao invés de diminuir a carga tributária sobre as pequenas e médias empresas (principais geradoras de emprego do país), manteve os impostos, aumentou o crédito para consumo (contribuindo para inflação que tem hj) e desencadeou uma ´serie de concursos públicos, inflando a máquina estatal. Tudo para fim eleitoreiros.

    E esta política deu tanta merda que a primeira coisa que a dilma fez foi cancelar os concursos do executivo federal e suspender as nomeaçõe sdos aprovados (coisa que todos eleitores achavam que era uma política que o PSDB iria implementar se chegasse ao poder.)

    Ao invés de estimular a iniciativa privada e gerar empregos através dela, levou a sério demais o papel do Estado como um "pai dos pobres" , em umza política irresponsável que somente veremos a médio prazo (se não fosse o pré-sal). Mas como somente o curto prazo conta para os politicos (todos eles) ele empurra a dívida com a barriga.

    Ah, é possível fazer mudanças sem gastar muito, sim. È só estimular o setor privado. Mas isto seria um golpe no papel "bonachão" do Estado. E péssimo para as eleições.

    abç

    Salomão

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  8. Hummm... Vou recolher-me a minha cela monástica e refletir sobre os seus argumentos. Parecem-me sensatos.

    Sem mais... por hora.
    Abraços

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    1. Uma pena, dá gosto de ler discussão inteligente. Passaria a tarde vendo Igor e anônimo discutindo.

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    2. Ih! Gio Jau! Esse Anônimo não Anônimo aí adora me perturbar. Mas que bom que você gostou!

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  9. Ilmos. Desembargadores,

    Em um país onde vigora-se um Código Eleitoral assinado pelo General Geisel, não é de se estranhar tal dualidade diante de um mesmo pertinente problema. Alheio, ou não.

    D. Fernandes

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  10. Caro Anônimo

    Certamente, os rinocerontes não cheiram melancias sob a chuva causticante do deserto Líbio.

    Sem mais
    Subescrevo-me

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  12. Caro Pablo

    Seu comentário foi excluído por não seguir a política de comentários d'O_Opinativo, contendo, além de expressões de baixo calão, ofensas ao proprietário e aos leitores deste blog.

    Obrigado pela compreensão

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  13. Luís Fernando Veríssimo: muitas palavras para tão parcial, fraca e redundante informação.

    O motivo para o elevado número de automóveis e o nó no trânsito não é o aquecimento da economia, mas sim a falta de um transporte público que atenda minimamente aos fins e aos princípios expressos na lei regente das suas concessões. Falta fiscalização, falta Estado "gerencial", sobra tributação, sobra desperdício, sobra roubalheira...

    Outro aspecto é o desestímulo à educação financeira e o irresponsável endividamento.

    Ainda temos as bolhas especulativas alimentando uma ilusória riqueza.

    Produção concentrada em commodities, disfarce cambial da inflação com o excesso de importações, principalmente de produtos industrializados.

    Não investimento em tecnologia, apagão de qualificação da mão-de-obra, posicionamento cômodista no mercado global.

    A nova classe média, que estuda, trabalha, produz, carrega o Estado pesado nas costas, está certa em dizer que o PT, apesar de seus méritos óbvios e que dispensam comentários, possui um projeto de poder, mas não um projeto de país. Por essa razão seus agentes apenas perpetuaram a nossa condição de colônia.

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  14. Caro Pedro Ricardo

    Em primeiro lugar, não vejo qualquer problema em ser parcial. Todos somos! O problema é fingir imparcialidade quando na verdade se é totalmente parcial, como, por exemplo, o caso da revista VEJA, sobre a qual já escrevi aqui.

    Quanto ao motivo do nó no trânsito ser culpa da falta de uma engenharia de trânsito competente, concordo plenamente. Falta tudo isso que você falou. Mas, convenhamos, com a melhora da economia, as pessoas estão, sim, comprando mais carros e motos, inclusive pela facilidade de financiamento e pela redução do IPI (e, claro, porque estão melhores financeiramente. Se estivessem ruins de grana, comprariam o básico: comida, pagariam aluguel, etc.)

    Quanto ao endividamento, ele realmente acontece. Mas lembre-se que endividamento não significa inadimplência. As pessoas estão endividadas, sim (até o Eike está!), mas continuam pagando suas contas. E isso porque, sim, a economia está melhor.

    Além disso, concordo com você que falta investimento em tecnologia e em mão de obra. Só acho equivocado dizer que a classe média é quem trabalha e produz. Fico pensando nas milhares de pessoas que enchem os trens todos os dias da Baixada para o Centro do Rio de Janeiro. Essa gente não trabalha? Não produz? Não oferecem serviços absolutamente necessários? Não consomem? Não movimentam a economia? Não pagam impostos em todos os produtos que consomem, carregando, também, o Estado?

    Por fim, gostaria de dizer que qualquer grupo que está no poder tem projeto de permanecer no poder, independentemente de qual seja. Por isso é preciso mecanismos democráticos (imparciais, igualitários, etc.) de governo, de mudança de poder e essas coisas todas. Mas, na boa, entre um governo do PT, que fez o que fez, melhorando muito a nossa sociedade, sobretudo para os mais pobres, e um governo tucano, do Consenso de Washington, não preciso responder com quem fico, né?

    Abraços e obrigado pelo comentário

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  15. A frase feita - "Melhor que dar o peixe é ensinar a pescar" - que se repete a todo momento para criticar o Bolsa Família, só mostra que quem a usa não tem a mínima ideia de como é processado o benefício. Para recebe-lo a criança deve estar na escola e não pode ter mais que 4 faltas no mês. Este benefício mudou muito a realidade nas escolas. A frequência é absurda. Ainda existe o controle de peso e estado geral da criança. Eu não gosto muito deste controle do estado, mas, infelizmente, esta foi a única forma de termos crianças mais assistidas por seus responsáveis. Todo mês os responsáveis têm que ir à escola pegar uma declaração de frequência e é necessário apresentar também o cartão da criança em dia, expedido pelo posto de saúde. O Bolsa Família é suspenso a qualquer sinal de que não está sendo aproveitado em benefício da criança.. Confesso que sou a favor do controle de natalidade, mas enquanto isso não é possível, esta é a melhor forma de "ensinar a pescar". O que não pode é querer que se aprenda a pescar sem dar condições para isso? Reclamar por reclamar sem conhecimento dos fatos só mostra o quanto as pessoas se deixam manipular, repetindo argumentos, claramente, discriminatórios, excludentes e preconceituosos.

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  16. Quem tem fome tem pressa. Em 2001, 8 anos de moeda "estável", morriam, segundo a Unicef, no nordeste e sertão mineiro em torno de 280 crianças por dia (isso mesmo...por dia!!!). Vai pescar com fome e rio que não dá peixe?

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