sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Mergulhando no abismo com Motoko_Resenha crítica de Ghost in the Shell

Ficha técnica:
Ghost in the Shell – O fantasma do futuro
Japão – 1995 – 83 min.
Direção: Mamoru Oshii
Produção: Bandai Visual Company & Kodansha Production I.G.

1. Sinopse
Em um 2029 futurista, um órgão do governo, o Setor 9, tem entre seus membros a Major Motoko Kusanagi. Uma andróide altamente capacitada, a Major se envolve em uma missão de perseguição a um perigoso hacker (o Mestre dos Fantoches) capaz de invadir a mente de andróides como ela – e até mesmo de seres humanos que possuam um implante cerebral –, alterando suas memórias e usando-os como ferramenta para a realização de algum plano misterioso. À medida que avança na missão e se aproxima cada vez mais do Mestre dos Fantoches, Motoko começa a se questionar sobre o seu próprio ser e sua própria identidade.

domingo, 3 de julho de 2016

Urgente! Temos que parar de escrever redação

Por Igor de Oliveira Costa
Pelo visto, esses dias tenho estado com a cabeça cheia de coisas sobre a minha própria prática profissional. Tanto que, hoje, me veio mais um tópico que parece não ser levado em conta mesmo nas escolas mais progressitas e libertárias de que se tem notícia por essas paragens fluminenses. Vou explicá-lo com mais detalhes. Muitas vezes, nós, professores de redação, somos “cobrados” pelos colegas de outras áreas em relação à escrita dos alunos. Essa cobrança, obviamente, está relacionada àquilo que é mais evidente, para um profissional leigo na área de Letras, na questão escrita: o domínio das regras de gramática normativa. Os colegas, coitados, chegam desesperados a nós, dizendo que os alunos “estão escrevendo muito mal”, que ninguém mais coloca acento; que não sabem a diferença entre “mais” (com “i”) e “mas” (sem “i”) e entre “concerto” (com “c”) e “conserto” (com “s”); que “ninguém mais coloca vírgula”; que o uso dos pronomes relativos reduziu-se exclusivamente ao “que”; que não há um estudante sequer capaz de acertar o uso correro dos “porquês”; e coisas semelhantes.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

A difícil arte de fazer crochê... digo, de ensinar a redigir um texto



Por Igor de Oliveira Costa
Faz um bom tempo que não escrevo. Um bom tempo que não me sento à frente do computador e coloco no papel (virtual) algumas linhas mais sérias sobre qualquer assunto. Os poucos contos que produzi já estão todos bem velhos e mofados. Os poemas, então, nem se fala. Sobram-me os textos mais formais, não literários, por assim dizer, mas, desde que terminei o mestrado, foram poucas as vezes em que me pus seriamente a produzir algo. Um artigo para o blog semiabandonado aqui, uma postagem de Facebook um pouco mais longa ali, uns pseudo textos por obrigações de trabalho e, pelo que me lembro, não muito mais.

domingo, 13 de março de 2016

Meus interesses de classe

Por Igor de Oliveira Costa

Queridos amigos, não adianta argumentar com os manifestantes dizendo que, se eles vão pra rua hoje, 13 de março de 2016, estão apoiando o Bolsonaro, Feliciano, Malafaia, Eduardo Cunha e tudo o que eles representam. Essas pessoas não estão preocupadas com quem apoiam, estão preocupadas na manutenção da sociedade estratificada e preconceituosa, porque elas estão no topo da pirâmide.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Plutocracia educacional

Por Igor de Oliveira Costa

Há alguns dias que tenho me debruçado sobre as notas do ENEM 2014 (Exame Nacional do Ensino Médio), recentemente divulgadas. Como professor, meu interesse era saber “o que faz diferença na nota do ENEM”, ou seja, quais aspectos daqueles disponibilizados pelo MEC são relevantes para uma boa nota na prova objetiva (deixemos a redação para uma outra hora). E a conclusão a que cheguei foi que, mesmo depois de uma década de mecanismos de inserção social, vivemos uma maldita plutocracia educacional.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Manual prático de como debater com idiotas (sobre direitos mínimos a criminosos)

Por Igor de Oliveira Costa

Hoje à tarde tive uma discussão, no famigerado Facebook, que me lembrou, mais uma vez, o quão diversa é a espécie humana. O mesmo ser que construiu as pirâmides, os jardins suspensos da Babilônia, que inventou a escrita, a álgebra, que cruzou os oceanos em barquinhos de madeira, que chegou à lua e inventou o computador e a neurociência... Essa mesma criatura é capaz de dizer as maiores asneiras e, pior de tudo, ser incapaz de compreender o raciocínio lógico mais pífio. Pensando nisso, escrevi esse pequeno manual de como discutir com idiotas – na verdade, a melhor estratégia é nunca discutir com um idiota, porque eles são verdadeiramente invencíveis, mas, se você, como eu, também é um cabeça dura, pode ser que o que direi abaixo tenha alguma utilidade.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

De novo, o Feminismo

Por Igor de Oliveira Costa

Se é para começar, vamos começar pelo princípio. E, no princípio, era o verbo. E o verbo, queridas autoras feministas, está errado ou, pelo menos, confuso. Em primeiro lugar, porque é preciso tornar claras as definições, como o fiz nesse texto em que discuti Feminismo. Segundo a autora desse texto aqui (recomendo muito que você o leia antes de prosseguir), haveria uma visão equivocada do que seria o machismo: segundo essa visão, machismo não seria apenas uma "…opinião de que homens sejam superiores às mulheres…", mas seria uma espécie de 'crença' que se perpetua no patriarcado, crença essa que permitiria às pessoas, ditas machistas, oprimirem as mulheres. Apesar de eu não saber exatamente a diferença filosófica precisa entre “crença”, “opinião” e “ideia”, vou continuar expondo o raciocínio da autora. Segundo ela, portanto, uma mulher não poderia oprimir uma outra mulher, porque, com isso, estaria oprimindo a si mesma. E ninguém é, como ela diz em outra passagem, o forjador dos próprios grilhões.